Na
maioria dos casos, o sangramento acontece por fatores simples e não exige
maiores cuidados; episódios frequentes podem indicar problemas de saúde e
precisam de avaliação
Por Thais Szegö, da Agência Einstein
Sangrar pelo nariz é comum e, na maioria das vezes, não representa um
problema grave. O quadro, chamado de epistaxe, costuma estar relacionado a
situações como ressecamento da mucosa nasal, resfriados, rinite, sinusite ou
pequenos traumas. Mas episódios frequentes, muito intensos ou que não cessam após
alguns minutos exigem atenção e podem precisar de avaliação médica.
As crianças entre 2 e 10 anos estão entre as mais propensas ao
problema. Nessa faixa etária, a mucosa nasal é mais fina e sensível, além de
ser comum o hábito de colocar o dedo no nariz, o que pode provocar pequenas
lesões e romper vasos sanguíneos. Os idosos também apresentam maior risco, em
parte pela maior fragilidade dos vasos e pelo uso frequente de medicamentos
como anticoagulantes e anti-inflamatórios.
Outros fatores também podem favorecer a epistaxe, como clima frio e
seco, assoar o nariz com força, traumas locais, uso prolongado de
descongestionantes nasais em spray e alterações de pressão atmosférica, como as
que ocorrem durante mergulhos ou em viagens para locais com altitude muito
diferente.
O que fazer
na hora?
Na maioria dos casos, o sangramento é isolado e para espontaneamente.
Durante o episódio, a recomendação é sentar-se e inclinar levemente a cabeça
para a frente. “O ideal é pedir para que a pessoa se sente e incline levemente
a cabeça para frente, ao invés de para trás, como a maioria acredita, pois a
cabeça elevada não controla o sangramento e ainda faz com que o líquido escorra
para a garganta e o indivíduo acabe engolindo o sangue”, explica o médico
Luciano Gregório, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia
Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
Em seguida, deve-se comprimir a parte mole do nariz com os dedos, como
uma pinça, por cerca de 3 a 5 minutos. “Colocar pedaços de algodão nas narinas
também é uma boa ideia. Ainda é indicado utilizar uma substância constritora
nasal com o algodão, deixando o tratamento mais eficaz, fazer uma compressa
fria sobre o nariz, e evitar assoá-lo com força nas horas seguintes”, recomenda
o otorrinolaringologista Pedro Wey, do Einstein Hospital Israelita.
Manter a mucosa nasal e o ambiente adequadamente umidificados também
pode ajudar a prevenir novos episódios, especialmente em períodos de clima
seco.
Quando
procurar um médico?
Se o sangramento não parar após 15 a 30 minutos de compressão, é
indicado procurar atendimento médico. A avaliação também é importante quando os
episódios são recorrentes ou muito intensos ou quando aparecem acompanhados de
outros sinais, como manchas roxas pelo corpo, sangramentos em outras regiões, obstrução
nasal ou histórico familiar de distúrbios de coagulação.
Na consulta, o otorrinolaringologista pode investigar a origem do
sangramento e identificar se ele é anterior ou posterior. A epistaxe anterior
ocorre na parte da frente do nariz, onde há uma grande concentração de vasos
sanguíneos frágeis, e corresponde à maioria dos casos — cerca de 90%, segundo
Wey. Em geral, é mais simples de controlar.
Quando necessário, o médico pode realizar a cauterização química do
vaso que está sangrando. Também podem ser indicadas pomadas ou géis para manter
a mucosa hidratada e tratamentos específicos para condições que favorecem a
epistaxe, como rinite, sinusite e ressecamento nasal.
Já a epistaxe posterior ocorre em uma região mais profunda do nariz e
tende a ser mais grave. O sangramento pode ser intenso e provocar uma perda
significativa de sangue, exigindo atendimento de emergência. “Esse tipo de
sangramento costuma ser muito intenso, levando à grande perda sanguínea, e
normalmente precisa de cirurgia para identificar o ponto do sangramento e fazer
uma ligadura da artéria que está sangrando ou uma cauterização elétrica do
vaso. Ou ambos”, explica o médico do Einstein.
Sangramento
recorrente merece investigação
Mesmo quando não há uma emergência, episódios
repetidos de sangramento nasal não devem ser simplesmente ignorados. Segundo o
médico, eles podem estar associados a problemas relativamente comuns, como
rinite alérgica e sinusite crônica não tratadas, mas também a desvio de septo,
hipertensão arterial não controlada e distúrbios de coagulação.
Em situações menos frequentes, a epistaxe
recorrente pode estar relacionada a tumores nasais ou dos seios da face. Por
isso, a repetição dos episódios é um dos principais sinais de que é necessário
investigar a causa.
Fonte: Agência Einstein

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