Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Mesmo
quem segue a recomendação de consumir cinco porções de frutas e hortaliças por
dia pode não estar ingerindo a quantidade de substâncias consideradas benéficas
para a saúde do coração. É o que mostra um estudo publicado na revista Food & Function, que analisou dados de mais de 30 mil pessoas
nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Os
pesquisadores investigaram se as recomendações atuais para uma alimentação
saudável seriam suficientes para garantir a ingestão de cerca de 500 miligramas
diários de flavonóis, que pertencem à família dos flavonoides, compostos
bioativos naturalmente presentes em alimentos de origem vegetal. Eles ajudam a
melhorar a função dos vasos sanguíneos, estimulam a produção de óxido nítrico
(que promove a dilatação das artérias) e exercem ação antioxidante e
anti-inflamatória.
A
equipe avaliou os hábitos alimentares dos participantes e utilizou
biomarcadores urinários capazes de estimar objetivamente o consumo desses
compostos. Os resultados mostram que pessoas com uma alimentação de melhor
qualidade e maior consumo de frutas e hortaliças realmente ingerem mais
flavonóis. Ainda assim, menos de 25% dos que seguem as recomendações
alimentares atingem a quantidade considerada benéfica para o coração.
Segundo
os autores, isso acontece porque nem todas as frutas e hortaliças apresentam a
mesma concentração desses compostos. “Embora ainda não existam recomendações
oficiais para a ingestão diária de flavonóis, os estudos reforçam a importância
de uma alimentação rica e diversificada em alimentos de origem vegetal”, avalia
a nutricionista Letícia do Vale Pires, do Einstein Hospital Israelita.
Variando o cardápio
Entre
as principais fontes de flavonóis estão chá-verde e chá-preto, cacau, maçã com
casca, uvas (especialmente as roxas), pera e frutas vermelhas. Verduras,
legumes e leguminosas também têm compostos, mas em concentrações menores.
O
ideal é investir na variedade, alternando as frutas consumidas, manter a casca
quando possível, incluir feijão e outras leguminosas (ervilha, grão-de-bico,
lentilha, soja…) nas refeições e substituir bebidas açucaradas por chás sem
açúcar. Outra dica é optar por chocolates com pelo menos 70% de cacau. “Não
existe um único alimento milagroso. O que faz diferença é um padrão alimentar
variado e equilibrado”, ressalta Pires.
A
forma de preparo também pode influenciar. Alimentos cozidos por tempo
prolongado e o descarte da água utilizada no preparo podem reduzir parte dos
compostos benéficos, assim como retirar a casca de frutas como a maçã, onde
eles se concentram em maior quantidade. A recomendação é combinar preparações
cruas e cozidas e manter uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal.
Pessoas
com maior risco cardiovascular, como indivíduos com hipertensão, diabetes,
colesterol elevado, obesidade ou histórico familiar de doenças
cardiovasculares, podem se beneficiar de uma alimentação rica em flavonoides.
No entanto, esses alimentos não substituem o tratamento medicamentoso nem
outras medidas recomendadas pelo médico. “Eles fazem parte de um conjunto de
hábitos saudáveis que contribuem para a prevenção e o controle das doenças”,
alerta a nutricionista.
Como
sugestão de cardápio, a especialista orienta que o café da manhã inclua, por
exemplo, maçã com casca, aveia e uma xícara de chá-verde ou chá-preto. No
lanche da manhã, a recomendação é apostar em uvas, frutas vermelhas ou outras
frutas. No almoço, o prato deve incluir salada variada, legumes e feijão. À
tarde, uma pequena porção de chocolate com pelo menos 70% de cacau pode
complementar o lanche. Já no jantar, vale consumir salada colorida, legumes e
uma fruta como sobremesa.
Apesar
dos resultados promissores, não existem recomendações oficiais para a ingestão
diária de flavonóis nem indicação para suplementação. A sugestão de consumir
cinco porções de frutas e hortaliças por dia — quaisquer que sejam elas —
continua válida.
Fonte: Agência Einstein

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