O Governo Federal vai perdoar dívidas de microempreendedores
individuais (MEIs) com a União e ampliar o limite anual de faturamento da
categoria. As medidas integram o Prospera MEI, pacote proposto pela União e
aprovado pelo Senado Federal nesta quinta-feira (15/10). O Projeto de Lei
Complementar (PLP) nº 186/2026 agora segue para sanção presidencial e pode
beneficiar 17,6 milhões de empreendedores, dos quais 7,8 milhões são mulheres.
O Prospera MEI, lançado na terça-feira (13/10) no Palácio do
Planalto, tem o objetivo de reduzir o endividamento, facilitar o acesso a
recursos para investimentos e simplificar a rotina dos microempreendedores individuais.
As ações são coordenadas pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e
da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), em conjunto com os ministérios da Fazenda e
do Planejamento e Orçamento.
O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa
de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira, ressaltou que os microempreendedores
individuais esperavam por essa atualização há mais de oito anos. Ele afirmou
que o governo espera que, com o Prospera MEI, os empreendedores possam
regularizar sua situação, ampliar seus negócios e gerar mais renda.
Confira o que muda com o PLP 186
● Perdão de dívidas – remissão integral dos débitos
inscritos ou não na dívida ativa da União.
● Teto de faturamento – de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027
e para R$ 140 mil em 2028.
● Contratação de empregados – até dois funcionários, em vez
de um.
● Compras públicas – limite das licitações exclusivas para
micro e pequenas empresas sobe de R$ 80 mil para R$ 100 mil.
● Contrata+Brasil – teto de valor para contratações de MEIs
subirá de R$ 13 mil para R$ 25 mil.
Além das medidas aprovadas, o Prospera MEI inclui a
renegociação de dívidas bancárias pelo Desenrola 3.0, com desconto mínimo de
90% na compra das carteiras de crédito pelas instituições financeiras; apoio
não reembolsável de até R$ 5 mil para investimentos nos pequenos negócios, por
meio do PixMEI (com limite de até 1 milhão de beneficiários entre 2027 e 2030)
; e dispensa da emissão de notas fiscais nas vendas de MEIs para pessoas
físicas. Os nanomeis ficam dispensados de emitir nota em todas as vendas e
também de criar CNPJ.
Perdão de dívidas com a União
A proposta prevê o perdão integral das dívidas dos MEIs com
a União, estejam elas inscritas ou não na Dívida Ativa. O benefício inclui
débitos do DAS previdenciário, multas, juros e outros encargos. A medida poderá
entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027, caso o texto seja aprovado pelo
Senado.
Para obter o benefício, o MEI deverá solicitar a anistia à
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e manter o pagamento do DAS em
dia durante os seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Quem discute a
dívida na Justiça também precisará desistir da ação, sem pagar honorários
advocatícios. Os valores já quitados não serão devolvidos.
A medida pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de MEIs com
dívidas inscritas na Dívida Ativa da União, que somam R$ 12,57 bilhões. O valor
médio das dívidas é de R$ 3.473.
Aumento do teto de faturamento
O limite anual de faturamento do MEI passará dos atuais R$
81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. A proposta também permite
a contratação de até dois empregados, em vez de um.
O teto de faturamento não é atualizado desde 2018. Com a
mudança, o microempreendedor poderá aumentar sua receita sem precisar deixar o
regime simplificado tão cedo, mantendo o pagamento mensal do Documento de
Arrecadação do Simples Nacional (DAS).
A mudança também pode beneficiar empresas do Simples
Nacional com faturamento anual de até R$ 110 mil (2027) e R$ 140 mil (2028l,
que podem voltar a se enquadrar como MEI, conforme as regras previstas na
proposta.
Mais oportunidades nas compras públicas
A proposta amplia as oportunidades de contratação de
pequenos negócios pelo poder público. O valor das licitações exclusivas para
microempresas e empresas de pequeno porte sobe de R$ 80 mil para R$ 100 mil. O
texto também prevê preferência nas licitações para MEIs em contratos de até R$
25 mil.
No Contrata+Brasil, o limite por serviço passa de R$
13.098,41 para R$ 25 mil, um aumento de aproximadamente 91%. A plataforma
aproxima os microempreendedores individuais dos órgãos públicos que precisam
contratar serviços.
Até 13 de outubro de 2026, o programa havia registrado 8.356
contratos finalizados, que somavam R$ 47,9 milhões. Ao todo, eram 24.537 MEIs e
2.744 órgãos cadastrados, além de 245 oportunidades abertas.
Nenhum voto contrário
O projeto foi aprovado pelo Senado Federal em votação
nominal, com 78 votos favoráveis, nenhum contrário e nenhuma abstenção. O
parecer do relator, senador Carlos Fávaro, foi favorável à proposta, com uma
emenda de redação. A Câmara dos Deputados já havia aprovado o projeto por 461
votos a 4, na noite de quarta-feira (14/10). As medidas que dependem da nova
lei entrarão em vigor nos prazos e nas condições estabelecidos no texto. De
iniciativa da Presidência da República, o projeto altera a Lei Complementar nº
123/2006, que estabelece as regras do Simples Nacional. A proposta trata da
atualização do limite de receita bruta anual, do número de empregados do MEI e
da remissão de créditos de titularidade da União.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da
República
.jpg)
0 Comentários