Artigo - Refletindo com Ela... por Carla Hofmann

Carla Hofmann - Advogada e Professora Universitária

A missão de ser professor nos dias atuais é bastante desafiadora. São tantos os percalços que acabam por desestimular aqueles que, no íntimo, sonham com essa belíssima carreira. Aliás, a palavra "professor" se origina de professar: ir à frente do público para declarar ou confessar uma ideia, ciência ou arte, com autoridade e conhecimento sobre o tema. "Ah, mas nem sempre foi assim!", podem retrucar os que sempre romantizaram essa profissão — ou, para alguns, esse ministério.

Penso que posso falar com conhecimento de causa sobre o tema, pois, assim como tantos outros que nos leem, além de professora universitária, sou filha de professora. E daquele tipo de professora “raiz”, que na maioria das vezes se dirigia a pé ou tinha como único meio de transporte a bicicleta para ir à escola, que ficava no interior do interior do município. Enfrentando dias chuvosos e gelados, ruas estreitas e empoeiradas, ela encontrava, com poucos recursos e muita força de vontade, uma classe pronta para ser encantada. E vejam que não era fácil: muitas escolas funcionavam no sistema multisseriado, ou seja, com alunos de várias séries na mesma sala de aula, que precisavam receber conteúdos completamente diversos uns dos outros. E lá ia o professor, com quadro e giz, além de uma bagagem imensa de boa vontade, desvendar os segredos das letras e dos números, os encantos da história e da cultura dos países, do clima, das ciências, da religião e dos bons modos para os pequenos seres ali presentes.

E hoje? Mudou muito? Os recursos são melhores: inteligência artificial, computador, internet, fontes amplas de pesquisa, escolas com melhor estrutura e remuneração um pouco superior — embora não tanto quanto deveria ser. Pois bem, então não há mais desafios? Quem dera. Estar em sala de aula é um constante sobressalto; é o ato contínuo de reinventar-se, mediar saberes desiguais, acolher personalidades e comportamentos diversos. A sala de aula é uma verdadeira miniatura da sociedade: heterogênea e ímpar, gentil e, por vezes, hostil. Mas também é aprender, voltar atrás em velhos conceitos; é um descobrir constante.

Nesse caminho nunca antes trilhado — pois cada aula é uma nova experiência, por mais que aquela matéria já tenha sido repassada em anos anteriores —, o ato de descobrir novas fórmulas constantemente, de esquecer os próprios problemas e a vida cotidiana para compartilhar com os alunos conteúdos e valores, é o que transforma a rotina. Doar do seu tempo e de sua energia para ajudar a estabelecer rumos para uma jornada em busca do conhecimento e da formação continuada, que todo ser humano necessita para a vida, é plantio e semeadura constantes em um terreno cujo fruto talvez o mestre jamais vá presenciar a colheita.

E o trabalho não termina em sala de aula. É uma dupla jornada que inclui planejamentos, reuniões, aperfeiçoamento eterno e correção de avaliações, tentando sempre descobrir uma fórmula para fazer o amanhã em sala de aula diferente, lúdico, interessante e afetuoso. Sim, afeto. O professor não pode esquecer desse ingrediente essencial nos dias de hoje: acolher, compreender e aceitar tantas diferenças em um só lugar.

O leitor paciente pode perguntar se vale a pena. Muito. Cada professor deixa um legado vivo na memória e na vida dos seus alunos; é uma forma de se tornar eterno. Minha homenagem aos professores das nossas vidas e, citando alguns poucos, rendo admiração eterna a essa fundamental carreira que sustenta todas as outras: Dalva Hofmann, Vitória Ruda, Sérgio Hermes e Mário Cristofolini.

 

 

 

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