Acabamos de celebrar o Dia Mundial do Coração, que acontece
no dia 29 de setembro e busca reforçar a conscientização sobre os cuidados
cardiovasculares. No entanto, médicos e especialistas alertam que cuidar do
coração exige olhar para além dele: a saúde cardíaca e a renal estão
intimamente conectadas por uma via de mão dupla chamada Síndrome Cardiorrenal,
em que a disfunção de um órgão acelera o dano ao outro.
Uma pesquisa nacional encomendada pela Vantive Brasil –
empresa de terapias para órgãos vitais – com 2 mil entrevistados em todo o país
revela que o ambiente de risco para ambas as condições já faz parte da rotina
da população. O levantamento aponta que 26,5% dos brasileiros relatam
hipertensão arterial (com 54,9% declarando histórico familiar da condição) e
39,1% são sedentários – dois dos principais vilões para o sistema cardiovascular
e para os rins.
A conexão cardiorrenal e o peso do sedentarismo
A pressão alta descontrolada sobrecarrega os vasos
sanguíneos do coração e danifica as delicadas estruturas de filtragem dos rins.
Por outro lado, a perda progressiva da função renal sobrecarrega o coração,
aumentando o risco de eventos cardíacos graves.
Os dados da pesquisa confirmam como hábitos nocivos
amplificam esse ciclo. Entre as pessoas sedentárias, o estudo identificou taxas
significativamente mais altas de condições cardiovasculares e renais em
comparação com quem pratica atividades físicas regularmente:
Hipertensão: 30% nos sedentários vs. 19,7% nos praticantes
de exercícios.
Diabetes: 17,1% nos sedentários vs. 13,3% nos praticantes.
Problemas de circulação: 11,3% nos sedentários vs. 7,5% nos
praticantes.
Doença renal relatada: 8,8% nos sedentários vs. 5,4% nos
praticantes.
“O coração e os rins funcionam como parceiros inseparáveis
na regulação da pressão e do fluxo sanguíneo. Quando a hipertensão ou o
diabetes não são controlados, ambos os órgãos sofrem silenciosamente”, explica
a Dra. Arcângela Valle. “Neste Dia Mundial do Coração, nosso objetivo é mostrar
que a prevenção cardiovascular precisa incluir a atenção à saúde renal.
Proteger os rins é também proteger o coração”.
O medo e a procrastinação atrasam o diagnóstico precoce
Apesar de viver em um cenário propício ao desenvolvimento
dessas doenças, a população costuma adiar os cuidados preventivos. A pesquisa
mostra que 67,7% dos brasileiros admitem adiar a realização de exames de
rotina, enquanto 53,3% afirmam não se hidratar adequadamente.
O estudo revelou ainda que o maior obstáculo para o
acompanhamento médico não é apenas a falta de informação, mas o fator
emocional: 60,6% apontaram o medo de descobrir algo grave como a maior
preocupação com a saúde, superando até mesmo a falta de recursos financeiros
(50,5%). Além disso, 20,3% das pessoas admitiram nem saber como avaliar o
próprio risco de desenvolver problemas renais.
“Tanto as doenças cardíacas quanto as renais em estágios
iniciais costumam ser silenciosas”, destaca Dra. Arcângela. “O grande desafio é
transformar o medo em ação consciente. Exames simples de rotina, como a dosagem
de creatinina no sangue e o exame de urina, somados à aferição da pressão
arterial, permitem diagnosticar alterações precocemente e evitar complicações
graves no futuro”.
A dimensão da mortalidade cardiovascular e renal no Brasil
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte
no Brasil, registrando mais de 400 mil óbitos por ano, o que equivale a cerca
de 1.100 mortes por dia ou uma vítima a cada 90 segundos. O volume de óbitos
por problemas cardíacos e circulatórios supera o dobro de todas as mortes
provocadas por todos os tipos de câncer somados no país.
Quando associadas à Doença Renal Crônica (DRC) – condição
que já afeta mais de 10 milhões de brasileiros –, o risco de mortalidade
precoce se multiplica. As complicações cardiovasculares (como infarto, AVC e
insuficiência cardíaca) representam a principal causa de óbito entre pacientes
com comprometimento renal crônico e em tratamento dialítico.
"Muitos pacientes não sabem que a hipertensão e o
diabetes descontrolados agridem silenciosamente os rins e o coração de forma
simultânea. Quando o diagnóstico de um problema renal ou cardíaco chega
atrasado, o risco de complicações graves e mortalidade aumenta
significativamente", alerta a Dra. Arcângela Valle.
Ações práticas para proteger o coração e os rins
Neste Dia Mundial do Coração, a Vantive reforça a
importância de integrar o cuidado cardiorrenal ao dia a dia por meio de hábitos
preventivos:
Controle a pressão arterial e a glicemia: A hipertensão e o
diabetes são as principais causas de insuficiência cardíaca e renal.
Mantenha-se ativo: A prática regular de exercícios reduz a
incidência de hipertensão em mais de 10 pontos percentuais.
Hidrate-se diariamente: A ingestão adequada de água ajuda na
circulação sanguínea e facilita o trabalho de filtragem dos rins.
Faça check-ups periódicos: Exames de sangue e urina simples
avaliam a saúde cardiovascular e renal de forma integrada.

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