Educadores detalham como as disciplinas de Biologia, Física e Química são cobradas no exame
No segundo domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),
os candidatos enfrentam a prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, que
reúne 45 questões distribuídas entre Biologia, Física e Química. Longe de
exigir apenas fórmulas decoradas ou nomenclaturas isoladas, a prova é
reconhecida pelo alto grau de contextualização e por avaliar a capacidade do
estudante de aplicar o raciocínio científico à resolução de problemas
socioambientais e tecnológicos do cotidiano.
Segundo Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola
Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP), a chave para encarar o Enem
está na compreensão dos processos: “A prova não avalia a memorização passiva. O
exame é desenhado cobrando que o participante entenda, por exemplo, como as
leis da natureza e as transformações da matéria impactam a saúde pública, a
matriz energética e a sustentabilidade do planeta.”
A seguir, educadores explicam como cada disciplina é
cobrada, apontam os conteúdos de maior incidência e compartilham orientações
práticas para direcionar os estudos na reta final de preparação.
Biologia
A Biologia costuma figurar entre 15 a 18 questões da área de
Ciências da Natureza e suas Tecnologias, destacando-se pela forte integração
com temas ambientais, de saúde pública e biotecnologia. A prova exige
interpretação de dados em gráficos, esquemas e experimentos.
Como avalia Gabriela Kirsten, professora de biologia, o
exame cobra uma visão crítica dos processos biológicos. “Não basta memorizar a
estrutura de uma célula ou o nome das fases da divisão. É essencial compreender
como os sistemas vivos interagem entre si e com o meio em que habitam, sabendo
interpretar situações-problema e propor soluções conscientes.”
Entre os temas mais recorrentes na prova de Biologia,
Kirsten destaca:
Ecologia: ciclos biogeoquímicos, cadeias e teias
alimentares, impactos ambientais, conservação dos biomas e sustentabilidade;
Citologia: estrutura e função das organelas celulares,
transporte de membranas e metabolismo energético;
Genética e Biotecnologia: hereditariedade, engenharia
genética, tecnologia do DNA recombinante, testes e diagnósticos;
Fisiologia Humana e Imunologia: funcionamento dos sistemas
corporais, vacinas, soros, vírus, bactérias e doenças infecciosas/endêmicas.
Para se dar bem na disciplina, a professora da Aubrick
recomenda praticar a resolução de simulados com foco na interpretação de
enunciados e tabelas. “Ecologia e saúde pública aparecem em quase todas as
edições. Conectar a teoria às notícias científicas recentes faz toda a diferença.”
Física
A Física aparece na prova com cerca de 15 questões, sendo
reconhecida como uma das matérias que exige do candidato mais interpretação e
domínio conceitual do que simples aplicação de fórmulas.
De acordo com Renato Shiotuqui, professor de Física, a
disciplina no Enem foca no funcionamento do mundo real. “Em geral, o exame
privilegia as aplicações práticas dos fenômenos físicos no cotidiano, como o
consumo de energia elétrica ou o estudo do movimento de veículos.”
Shiotuqui aponta a importância da organização do raciocínio
durante a resolução das alternativas. “Comece pela leitura atenta do enunciado,
sublinhando os dados relevantes e identificando primeiro o princípio físico
envolvido. Só depois de entender a situação-problema o aluno deve partir para a
equação.”
Como estratégia de prova, o professor do BIS orienta
organizar tabelas de conversão de unidades e criar mapas mentais com as
principais equações e suas aplicações práticas no dia a dia. Ele acrescenta que
a leitura e a interpretação de gráficos e esquemas são cobranças quase certas.
“O estudante é desafiado a raciocinar e aplicar conceitos em contextos práticos
e interdisciplinares.”
O docente elenca os assuntos de Física com maior incidência
no exame:
Mecânica: cinemática, Leis de Newton, trabalho, potência e
conservação de energia mecânica;
Eletrodinâmica: análise e dimensionamento de circuitos
elétricos, leis de Ohm, potência e consumo de energia elétrica;
Ondulatória e Acústica: fenômenos ondulatórios (reflexão,
refração, difração, interferência) e características do som;
Termologia: calorimetria, processos de propagação de calor e
princípios da termodinâmica.
Química
Com cerca de 13 a 15 questões no exame, a Química costuma
trazer enunciados contextualizados que envolvem tabelas, fórmulas estruturais e
reações de processos industriais ou ambientais.
Para Fabrício Bisetto, professor de Química, a disciplina
exige uma leitura crítica que supere a simples memorização: “A química aparece
no Enem como uma ferramenta para analisar transformações da matéria em
situações reais, como tratamento de água, combustíveis e medicamentos. O
candidato precisa dominar o cálculo estequiométrico e a linguagem simbólica das
equações para interpretar o que a questão pede, por exemplo.”
Fabrício lista os tópicos de Química mais recorrentes na
prova:
Química Orgânica: identificação de funções orgânicas,
reações, isomeria e química dos cotidianos (fármacos e polímeros);
Estequiometria: cálculos de rendimento, pureza e relação
quantitativa em reações químicas;
Físico-Química: termoquímica (entalpia), equilíbrio químico,
deslocamento de Le Châtelier e soluções (concentrações);
Eletroquímica e Química Inorgânica: pilhas, eletrólise,
funções inorgânicas (ácidos, bases, sais e óxidos) e escala de pH.
Para gabaritar a disciplina, Fabrício recomenda estabelecer
ciclos de revisão focados em exercícios de interpretação de dados quantitativos
e qualitativos. “Treinar simulados cronometrados ajuda o estudante a ganhar
agilidade nos cálculos estequiométricos e na análise de gráficos”, finaliza.
O ENEM
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi instituído em
1998 e tornou-se a principal porta de entrada para a universidade no Brasil. A
prova permite o acesso a programas públicos educacionais como o Prouni
(Programa Universidade para Todos), Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e Fies
(Fundo de Financiamento Estudantil); além de muitas universidades privadas,
inclusive no exterior, usarem os resultados do exame em substituição aos
vestibulares tradicionais.
O Enem é aplicado em dois domingos seguidos em locais de
aplicação por todos as regiões do território nacional. Em 2026, as provas
acontecem em 8 e 15 de novembro. Foram registrados para esta edição 5.055.818
de inscritos, alta de 5,08% em relação a 2025, e maior número de participantes
confirmados desde 2020.
No primeiro dia, os candidatos farão as provas de
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (45 questões de Língua Portuguesa,
Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou Espanhol, Artes e Educação Física),
Ciências Humanas e suas Tecnologias (45 questões de História, Geografia,
Filosofia e Sociologia) e a Redação. No segundo dia, é a vez das provas de
Ciências da Natureza e suas Tecnologias (45 questões de Biologia, Química e
Física) e Matemática e suas Tecnologias (45 questões de Matemática).
Podem participar do Enem pessoas que estejam cursando (como
“treineiros”), que já concluíram, ou que estejam concluindo o Ensino Médio. É
possível ainda usar o resultado do Enem para obter o certificado de conclusão
dos estudos, contanto que o participante tenha 18 anos completos na data da
primeira prova, e alcançar ao menos 450 pontos em cada área do conhecimento e
500 pontos na redação.

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