Atualização reduz impedimentos, mantém a segurança da
triagem e pode ajudar a reforçar os estoques dos hemocentros
Um gesto simples, capaz de transformar o destino de quem luta
pela vida, tornou-se mais acessível. As novas regras para doação de sangue, estabelecidas
pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026 e em vigor desde outubro, flexibilizam
critérios, reduzem períodos de impedimento e permitem que doadores habituais
continuem a contribuir após os 70 anos. As mudanças representam uma
oportunidade de atrair novos voluntários e fortalecer os estoques dos
hemocentros, essenciais para o atendimento de pacientes em situações de
urgência, cirurgias e tratamentos de doenças graves.
A necessidade desse recurso é permanente. No Hospital Unimed
Chapecó, foram realizadas 2.075 transfusões em 2025, das quais 90% tiveram
indicações clínicas. Em 2026, conforme levantamento da instituição apresentado
em outubro, foram contabilizadas 1.103 transfusões, sendo 83% relacionadas a
necessidades clínicas.
De acordo com o coordenador do Laboratório Unimed Chapecó,
Robson Vassoler, a atualização dos critérios possibilita que pessoas
anteriormente impedidas por longos períodos retornem à doação, sem comprometer
a segurança do procedimento.
“As mudanças diminuem algumas barreiras que frequentemente
impediam pessoas saudáveis de doar. Alguém que fez uma tatuagem recentemente,
por exemplo, não precisará mais esperar vários meses. Além disso, a
possibilidade de doadores experientes continuarem contribuindo após os 70 anos
ajuda a preservar uma base de voluntários já comprometida com a causa”,
explica.
Novos critérios, novas possibilidades
Entre as principais alterações está a redução dos intervalos
exigidos após determinados procedimentos. Para tatuagens, maquiagem definitiva,
aplicação de botox, preenchimentos e microagulhamento, o prazo de espera pode
ser de apenas sete dias, desde que sejam comprovadas condições adequadas de
segurança. Quando não for possível avaliar essas condições, o período de
impedimento será de quatro meses.
Quem realizou endoscopia ou colonoscopia também poderá
retornar à doação após quatro meses, em vez dos seis exigidos anteriormente.
Outros critérios foram atualizados para situações específicas, sempre sujeitos
à avaliação individual durante a triagem. Segundo Robson, as alterações
acompanham os avanços científicos e procuram tornar a doação mais acessível,
sem dispensar os cuidados necessários para proteger voluntários e receptores.
Cada minuto importa
A disponibilidade de sangue pode ser decisiva em
atendimentos de alta complexidade. Na Unimed Chapecó, a Agência Transfusional,
vinculada ao laboratório, recebe os hemocomponentes fornecidos pelo Centro de
Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC), realiza o armazenamento adequado,
executa os testes pré-transfusionais e monitora continuamente os estoques.
Entre as principais demandas estão cirurgias cardíacas,
procedimentos mais complexos, atendimentos de urgência e tratamentos de
pacientes oncológicos e com doenças hematológicas. As cirurgias cardíacas, em
especial, exigem reservas expressivas de hemocomponentes, inclusive plaquetas,
o que torna o controle dos estoques ainda mais criterioso.
Nos casos de hemorragias graves, a rapidez pode determinar o
desfecho do atendimento. Até o levantamento apresentado em outubro de 2026, o
Hospital Unimed Chapecó havia acionado oito protocolos de transfusão maciça,
utilizados quando pacientes necessitam receber grandes quantidades de
hemocomponentes em curto intervalo.
“Nesses atendimentos, ter os hemocomponentes disponíveis de
forma rápida foi fundamental para auxiliar no controle do sangramento e
contribuir para a estabilização dos pacientes”, relata o coordenador.
A reposição exige atenção constante, pois os componentes
sanguíneos possuem prazos de validade limitados, especialmente as plaquetas.
Entre os tipos mais requisitados estão o O negativo, considerado doador
universal de hemácias e essencial em determinadas emergências, e o O positivo,
cuja elevada frequência na população resulta em grande demanda hospitalar.
Ainda assim, todos os grupos sanguíneos são necessários para assegurar o
atendimento aos diferentes perfis de pacientes.
Gesto seguro, esperança renovada
Apesar da necessidade contínua, dúvidas e receios ainda
afastam possíveis voluntários. Entre os mitos mais comuns estão as crenças de
que doar sangue provoca fraqueza permanente, altera sua consistência ou oferece
risco de contrair doenças.
Robson esclarece que a coleta utiliza materiais estéreis,
descartáveis e de uso único, sem risco de transmissão de doenças pelo
equipamento. O organismo repõe rapidamente a parte líquida do sangue, enquanto
a recuperação das células ocorre gradualmente nas semanas seguintes. Eventuais
episódios de tontura ou indisposição costumam ser passageiros.
Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de
saúde, pesar pelo menos 50 quilos e apresentar documento oficial com foto. A
primeira doação pode ser realizada entre os 16 anos e os 60 anos, 11 meses e 29
dias, conforme os critérios gerais, com autorização dos responsáveis para
menores de 18 anos. Quem já possui histórico de doações pode continuar após
essa idade. Com as novas regras, os doadores habituais também poderão doar
depois dos 70 anos, desde que estejam saudáveis e sejam considerados aptos após
avaliação médica do serviço de hemoterapia.
Antes da coleta, recomenda-se dormir bem, manter a
hidratação, alimentar-se adequadamente, evitar refeições gordurosas nas horas
anteriores e informar à equipe de triagem sobre medicamentos em uso, condições
de saúde e procedimentos recentes.

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