Estudo com mais de 480 mil pessoas associa o hábito de usar escadas a risco 39% menor de morte cardiovascular e reforça que pequenas doses de atividade física também contam
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Subir
cerca de 60 a 70 degraus por dia, algo em torno de quatro a cinco lances de
escada, pode ser uma maneira simples de incluir atividade física na rotina e
ajudar a proteger o coração. A prática está associada a um risco 39% menor de
morte por doenças cardiovasculares e 24% menor de morte por qualquer causa,
segundo uma revisão sistemática com meta-análise publicada em agosto no American Journal of Cardiovascular Drugs.
O
trabalho reuniu nove estudos e mais de 480 mil participantes, entre os quais
havia pessoas com e sem histórico de doenças cardiovasculares. Os autores
compararam aquelas que tinham o hábito de subir escadas com as que não faziam
isso regularmente. Além da menor mortalidade, observaram associação com menor
ocorrência de eventos como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e
insuficiência cardíaca.
“Essa
meta-análise acaba consolidando, de uma forma estatística, que esse hábito de
subir escadas diariamente reflete em maior longevidade e em redução de eventos
como infarto e AVC”, afirma a cardiologista Juliana Soares, do Einstein
Hospital Israelita. Para ela, os dados ajudam também a desfazer a ideia de que
atividade física só conta quando é feita de maneira estruturada, na academia.
“Às vezes, pequenas intervenções, simples e factíveis, trazem um grande
benefício à saúde cardiovascular”, diz.
Subir
esses cerca de 60 a 70 degraus pode ser algo incorporado ao cotidiano, e os
estudos avaliados na revisão apontam benefícios em distâncias menores.
“Estabelecer metas factíveis é muito importante. Subir quatro lances de escada,
sabendo que isso eventualmente pode até ser fracionado, é algo que contribui
muito para a adesão”, afirma Soares.
É
possível, por exemplo, subir dois lances pela manhã e outros dois à tarde. Isso
contribuiria até para interromper longos períodos sentado. “Do ponto de vista
de prevenção cardiovascular, o volume total diário acumulado acaba sendo o
fator mais relevante”, destaca a cardiologista.
Impacto no coração
Subir
escadas exige bastante do organismo porque combina movimento aeróbico e
fortalecimento muscular. “Para vencer a gravidade, grandes grupos musculares,
como quadríceps, panturrilhas e glúteos, entram em ação, e o coração precisa
aumentar rapidamente o bombeamento de sangue. Com isso, a frequência cardíaca
sobe e os vasos sanguíneos se dilatam. A atividade também aumenta o consumo de
glicose pelos músculos e pode contribuir para o controle do diabetes e do
colesterol”, explica Juliana Soares.
Para
quem é sedentário, trocar o elevador pela escada pode ser um primeiro passo
para sair da inatividade. A recomendação é aumentar o esforço progressivamente.
“Não vai começar subindo cinco lances de uma vez. Comece gradativamente, suba
um lance, depois dois, e vá aumentando progressivamente”, orienta a médica do
Einstein. Para quem não pratica nenhuma atividade, esse exercício pode
representar um esforço de intensidade moderada e, dependendo do ritmo, até
vigorosa.
A
prática, no entanto, não é indicada para todos. Pessoas idosas, com risco
elevado de quedas, alterações de equilíbrio ou com problemas importantes nas
articulações, devem ter cautela. Indivíduos com condições cardiovasculares
descompensadas, como insuficiência cardíaca, arritmias não controladas ou dor
no peito, também não devem subir escadas sem antes receber aval profissional.
Fonte: Agência Einstein

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