Pesquisa evidencia que, além de reduzir o sódio, aumentar o consumo do outro mineral por meio de uma alimentação rica em vegetais ajuda a manter a hipertensão sob controle
Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Reduzir
o sal é uma das recomendações mais conhecidas para prevenir e controlar a
pressão alta, pois o excesso de sódio favorece o aumento da pressão arterial e,
consequentemente, eleva o risco cardiovascular. Mas cada vez mais evidências
mostram que a ingestão insuficiente de potássio também pode ter papel no
desenvolvimento da hipertensão.
Um
artigo recém-publicado no The American Journal of Clinical Nutrition
reuniu e analisou as evidências disponíveis sobre o tema e reforça a
importância de considerar os dois minerais em conjunto nas recomendações
alimentares. Segundo os autores, aumentar a ingestão de potássio pode
contribuir para o controle da pressão arterial, especialmente quando associado
à redução do consumo de sódio.
O
efeito do potássio sobre a pressão arterial ocorre por diferentes mecanismos.
Um deles envolve os rins, que ajudam a controlar a quantidade de sódio e de
líquidos no organismo. Quando há mais potássio disponível na dieta, os rins
tendem a eliminar mais sódio pela urina. Com menos sódio retido, o organismo
também retém menos água, contribuindo para reduzir a pressão sobre os vasos
sanguíneos.
Além
disso, o potássio atua diretamente nos vasos, favorecendo seu relaxamento e
ajudando a regular o chamado tônus vascular, ou seja, o grau de contração das
artérias. Esses mecanismos ajudam a explicar o efeito do mineral sobre a
pressão arterial, que não é uma novidade para a ciência. “A recomendação de
reduzir a ingestão de sódio é uma estratégia clássica e bem estabelecida no
manejo não farmacológico da hipertensão arterial. Da mesma forma, o aumento da
ingestão de potássio já integra, direta ou indiretamente, as orientações
nutricionais há muitos anos”, explica o cardiologista Weimar Kunz Sebba
Barroso, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
Uma
forma de aumentar a ingestão de potássio é priorizar frutas, verduras, legumes
e outros alimentos in natura, que são naturalmente ricos no mineral. A
suplementação não é recomendada de rotina apenas com o objetivo de reduzir a
pressão e deve ficar restrita a situações específicas, após avaliação
individual.
Uma
alternativa é o consumo do chamado sal light, em que parte do cloreto de sódio
do sal convencional é substituída por sais de potássio. “Estudos clínicos têm
demonstrado que a substituição parcial do cloreto de sódio por sais de potássio
pode contribuir para a redução da pressão arterial. A própria Unidade de
Hipertensão Arterial da Universidade Federal de Goiás possui uma linha de
pesquisa avaliando essa intervenção”, comenta Barroso.
Isso
não significa, porém, que o sal light possa ser usado à vontade. “É fundamental
que seja utilizado em quantidade semelhante ou inferior à do sal convencional,
pois seu menor poder de salgar pode levar ao aumento compensatório do consumo e
reduzir o benefício esperado”, alerta o cardiologista. Tampouco adianta
aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio e manter um consumo elevado
de sódio. Por isso, as duas estratégias devem ser consideradas de forma
complementar no controle da hipertensão.
Recomendação individualizada
Apesar
dos benefícios do potássio, a recomendação para aumento do consumo do mineral
não é a mesma para todos e deve ser individualizada. Para a maioria das pessoas
com hipertensão e função renal preservada, aumentar a ingestão de potássio por
meio da alimentação é seguro e pode trazer benefícios para o controle da
pressão.
O
principal cuidado é com pacientes com doença renal crônica, especialmente nos
estágios mais avançados. Como os rins são responsáveis por eliminar o excesso
de potássio, a perda da função renal pode provocar seu acúmulo no sangue, a
chamada hipercalemia. “Nesses pacientes, a orientação deve considerar a função
dos rins, os níveis do mineral no sangue e os medicamentos utilizados. Tanto o
excesso quanto a falta de potássio podem trazer riscos, inclusive alterações do
ritmo cardíaco”, alerta Weimar Barroso.
Fonte: Agência Einstein

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